Entre ciência e acolhimento: 4º Congresso do HSRC amplia debates sobre câncer

Entre ciência e acolhimento: 4º Congresso do HSRC amplia debates sobre câncer

A quarta edição do Congresso de Oncologia do Hospital Santa Rita reforçou seu papel como um dos principais espaços de discussão sobre câncer no Espírito Santo ao reunir especialistas, pesquisadores, gestores e profissionais de diferentes áreas da saúde para debater os desafios e avanços da assistência oncológica.

O evento promoveu discussões científicas e estratégicas sobre os desafios atuais do tratamento do câncer, abordando desde avanços terapêuticos até questões emocionais, sociais e econômicas enfrentadas pelos pacientes. A programação destacou a importância da atuação conjunta entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, dentistas, psicólogos e demais profissionais no planejamento e na condução do tratamento oncológico.

Entre os temas discutidos estiveram a personalização terapêutica, terapias celulares, anticorpos conjugados, rastreamento mamário, radioterapia e o tratamento de cânceres de cabeça e pescoço. A qualidade de vida também ganhou espaço na programação, incluindo debates sobre menopausa precoce em pacientes com câncer de mama, sexualidade, autoestima e acolhimento emocional durante o tratamento.

Os debates esclareceram uma tendência crescente na oncologia contemporânea: a ampliação do olhar para além da doença, considerando as múltiplas necessidades físicas, emocionais e sociais dos pacientes ao longo do tratamento.

Outro destaque do congresso foi a abordagem da navegação oncológica, modelo assistencial que busca colocar o paciente no centro da jornada de cuidados, promovendo acompanhamento contínuo, coordenação entre equipes e maior integração dos serviços de saúde.

A programação também abriu espaço para reflexões sobre desigualdades no acesso ao tratamento, políticas públicas voltadas à oncologia e os impactos socioeconômicos enfrentados por pacientes submetidos a terapias de alta complexidade, como o transplante de medula óssea.

Atividades simultâneas ampliaram experiências científicas

Além do conteúdo técnico e científico, o congresso chamou atenção pelo formato inovador adotado nesta edição. As atividades ocorreram em um auditório silencioso, permitindo a realização simultânea de diferentes palestras em um mesmo ambiente. Por meio de fones de ouvido individuais, os participantes puderam escolher quais apresentações acompanhar, tornando a experiência mais dinâmica e personalizada.

A proposta ampliou a oferta de conteúdos e favoreceu o acesso dos participantes a diferentes temas de interesse, acompanhando tendências observadas em grandes eventos científicos da área da saúde.

Produção científica e participação dos pacientes

A valorização da pesquisa também foi destaque no encontro. Trabalhos científicos desenvolvidos na área oncológica foram apresentados e premiados, incentivando a produção de conhecimento e fortalecendo o papel do Hospital Santa Rita como referência no tratamento e no debate sobre o câncer no Espírito Santo.

Pela primeira vez, o congresso contou ainda com um simpósio voltado diretamente para pacientes e familiares atendidos pela Afecc-Hospital Santa Rita. A iniciativa promoveu orientações sobre uso correto de medicamentos, cuidados domiciliares e saúde bucal durante o tratamento, além de criar um espaço para troca de experiências e esclarecimento de dúvidas.

A participação dos pacientes reforçou a importância da escuta ativa e do acolhimento como partes fundamentais do processo terapêutico, aproximando o conhecimento científico da realidade vivida por quem enfrenta o câncer.

Para a presidente da Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc), Marilucia Dalla, entidade mantenedora do Hospital Santa Rita, o congresso cumpriu o papel de estimular a atualização científica e fortalecer a integração entre diferentes especialidades da saúde, contribuindo para a qualificação da assistência oncológica.

“A quarta edição do congresso representou, portanto, um marco de integração científica e humanização da oncologia, evidenciando a necessidade de um cuidado cada vez mais multidisciplinar, tecnológico e centrado no paciente”, concluiu Marilucia Dalla.

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