O artigo científico sobre a técnica foi publicado na edição de outubro deste ano, no Journal of Cardiovascular Electrophyusiology, a mais importante publicação internacional de artigos científicos da área de cardiologia. No mês seguinte, a técnica desenvolvida no Espírito Santo recebeu a premiação de segundo melhor trabalho de Temas Livres do Congressso realizado em Salvador.
A técnica consiste em usar uma potência muito elevada para fazer a cauterização nos locais da arritmia durante pouco tempo. Com isso, o tempo do procedimento foi reduzido em mais de 50% com uma menor exposição dos pacientes a riscos de intercorrências e resultados melhores do que com a técnica anterior. Em muitos casos, o procedimento tornou tão mais rápido que não há necessidade de pós operatório em unidades de terapia intensiva.
Vassallo e os médicos da equipe, Cristiano Cunha, Eduardo Serpa, Hermes Carloni, Aloyr Simões Júnior, Dalton Hespanhol, Carlos Volponi Lovatto, Walter Batista Júnior e Renato Serpa compararam essa técnica de ablação com o tradicional método de uso de cateteres de Força de Contato (FC) e constataram que a HPSD foi seguro, útil e eficiente em comparação com à FC, reduzindo, inclusive, o tempo do procedimento e o risco de complicações para o paciente.
A fibrilação atrial é o tipo mais comum de arritmia cardíaca e caracteriza-se por irregularidades na transmissão de impulsos elétricos que coordenam as batidas do coração e, consequentemente, fazem com que o coração “dispare de repente”. Os átrios (a parte superior do músculo cardíaco) não se contraem direito, é como se tremessem, e, nessa situação, as batidas por minutos do coração chegam a dobrar.
A fibrilação atrial está por trás da insuficiência cardíaca, já que, aos poucos, a sobrecarga danifica o coração. Ao mesmo tempo, estimula a formação de coágulos que podem provocar infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas o risco dessas consequências ocorrerem reduz muito com o tratamento adequado.

