Em um gesto de solidariedade que aquece corações, um capixaba está prestes a mudar a vida de um paciente nos Estados Unidos, que precisa de uma doação de medula óssea. Raphael Athayde de Souza, 37 anos, realizou o procedimento de doação de medula óssea no último dia 20 de janeiro.
O procedimento foi realizado no Hospital Santa Rita, em Vitória.
O doador fez o cadastro como doador há alguns anos, e esperava que, um dia, pudesse ser chamado. “Receber a ligação foi uma surpresa imensa”, contou. Sem hesitar, ele compareceu ao Hospital Santa Rita.
Para quem espera ansiosamente por um transplante de medula, essa doação carrega um alívio indescritível e a esperança de dias melhores. A equipe do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Células Tronco Hematopoéticas do Hospital Santa Rita, coordenada pelo hematologista Marcelo Aduan, e o Registro Brasileiro de Transplante de Medula Óssea (Redome), em ação conjunta, realizaram toda a logística para que o material coletado (chamado de CTHSP) pudesse chegar aos EUA dentro do prazo e em condições adequadas.
Sobre o Processo
1 – O doador deu entrada no Hospital Santa Rita no dia 20 de janeiro de 2025 para fazer a coleta.
2 – O procedimento de coleta começou às 12h e se encerrou às 14h.
3 – O doador ficou internado para que a equipe do Santa Rita pudesse acompanhar sua evolução, já que foi inserido um cateter na virilha dele para fazer a coleta da medula, mas logo no dia seguinte, 21 de janeiro, já teve alta e retornou para sua casa, em Vitória mesmo.
4 – A medula óssea do doador foi enviada para os EUA no mesmo dia em que foi coletada – dia 20 de janeiro. Um courier veio dos Estados Unidos para acompanhar todo esse processo, que foi feito em ação conjunta com o Redome. A medula foi colocada num isopor preparado para recebê-la em perfeitas condições e seguiu de avião para o exterior. Foi preparada toda uma documentação para que o material pudesse chegar ao seu destino final sem intercorrências
Sobre o Hospital
O Hospital Santa Rita, localizado no bairro Santa Cecília, em Vitória, é a única instituição no Espírito Santo credenciada pelo Ministério da Saúde para realizar todos os tipos de transplantes de medula óssea via Sistema Único de Saúde (SUS). Para ser contemplado com a doação de medula, o paciente precisa ser portador de leucemia aguda, linfomas, anemia aplástica ou mieloma múltiplo. “O próprio médico responsável inscreve o nome do paciente na lista de espera”, disse Marcelo Aduan, coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Células Tronco Hematopoéticas do hospital.
Aduan explica que existem três tipos de transplantes de medula óssea: o autólogo, realizado com as células do próprio paciente; o alogênico aparentado, feito com células de um parente compatível; e o alogênico não aparentado, quando a medula é proveniente de um doador desconhecido, mas que possui compatibilidade testada por exame específico (HLA). Cada um desses tipos têm suas especificidades e exigências, e todos representam, sem dúvida, uma esperança renovada para quem luta contra doenças hematológicas graves. Confira, a seguir, informações sobre cada um deles:
Transplante Autólogo – O Transplante Autólogo é quando o doador é a própria pessoa que irá receber a medula. “Utilizamos de forma curativa ou como alternativa de controle para doenças malignas como o câncer. É aplicado, principalmente, para os casos de Mieloma Múltiplo, Linfoma de Hodgkin, Linfoma Não Hodgkin, Neoplasia de Células Germinativas (tumor de testículos)”, pontuou Aduan.
Transplante Alogênico Aparentado – O Transplante Alogênico Aparentado é aquele em que o doador pode ser um parente, como o irmão, por exemplo. A principal indicação deste tipo de transplante é para os casos de Leucemias Agudas (Mielóides e também Linfóides). É uma modalidade de tratamento curativa. “A taxa de cura varia com as características da Leucemia e também com as condições do paciente e se a doença encontra-se controlada no momento da internação para o transplante”, explica o médico.
A compatibilidade é definida pelo exame de Antígeno Leucocitário de Histocompatibilidade (HLA), que rege a possibilidade do transplante e a escolha do melhor doador.
O especialista ressalta ainda que, atualmente, existe a possibilidade de transplante em que o doador não precisa ter compatibilidade completa com o receptor, desde que sejam feitos os devidos ajustes. “Entretanto, esse transplante parcialmente compatível (Haploidêntico) só deve ser indicado na falta de doador totalmente compatível, seja na família, seja no Banco de Medula Óssea (Redome).”
Transplante Alogênico Não Aparentado – O Transplante Alogênico Não Aparentado é aquele em que o doador utilizado está no Banco de Medula Óssea (Redome – Registro Brasileiro de Transplante de Medula Óssea). “Quando o doador não é encontrado no Registro Brasileiro, o Redome pode, inclusive, realizar busca internacional por esse doador”, detalhou.
Para aqueles que sentem receio de se cadastrar para ser um futuro doador, o risco é mínimo. Veja como a doação ocorre: As células tronco hematopoéticas podem ser coletadas a partir da Medula Óssea em centro cirúrgico ou, simplesmente, a partir da coleta através da punção venosa das veias do braço (ambos os braços).
Desde 2008, o Hospital Santa Rita já realizou 796 transplantes
O Centro de Transplante de Medula Óssea (TMO) do Hospital Santa Rita, em atividade desde 2008, está, atualmente, habilitado pelo Ministério da Saúde para realizar as três modalidades de Transplantes.
A equipe do Centro de Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita realizou, até o momento, 796 transplantes, sendo 765 autólogos e 31 alogênicos. “Estamos recebendo pacientes de todo Brasil, inclusive, temos encaminhamentos de outros estados como RJ, PI, MA e RO”, afirmou.
A Coleta da Medula Óssea
De acordo com Marcelo Aduan, há duas formas básicas para coleta da medula óssea de um doador compatível e a escolha sobre o método mais adequado de coleta não é uma decisão do doador ou do paciente, mas, sim, uma indicação médica, de acordo com o tipo de doença ou diagnóstico do paciente:
Aférese: procedimento de coleta por via periférica, que se assemelha a uma doação de sangue. Não requer internação, nem anestesia;
Punção no osso da bacia, por meio de agulhas especiais, sob efeito de anestesia. Os doadores passam por um pequeno procedimento cirúrgico, de aproximadamente 90 minutos.

