Cansaço pode estar entre os sinais de alerta da leucemia mieloide crônica

Cansaço pode estar entre os sinais de alerta da leucemia mieloide crônica

O cansaço é uma sensação comum após noites mal dormidas, períodos de estresse ou rotinas intensas. O sinal de alerta surge quando a fadiga se torna persistente, sem uma causa aparente, e começa a comprometer as atividades cotidianas, sendo importante investigar as possíveis origens. Em algumas condições, o sintoma pode estar associado a alterações no sangue, entre elas, a Leucemia Mieloide Crônica (LMC).

A LMC é um tipo de câncer da medula óssea caracterizado pela produção excessiva de células da linhagem mieloide. “A doença costuma evoluir lentamente e, especialmente em sua fase inicial, pode não provocar sintomas. Por isso, não é incomum que seja identificada por acaso em um exame de sangue solicitado por outro motivo”, explica o hematologista e coordenador do Serviço de Onco-Hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita, Marcelo Aduan.

Segundo o especialista, uma das principais alterações observadas nos exames laboratoriais é o aumento expressivo dos glóbulos brancos. “Na doença, o hemograma costuma mostrar um aumento importante dos glóbulos brancos, principalmente dos neutrófilos. Também podem aparecer aumento das plaquetas e dos basófilos. O aumento do número de glóbulos brancos evidenciado no hemograma não significa automaticamente LMC. O diagnóstico diferencial é com infecções. O hemograma levanta a hipótese. Ele não confirma sozinho o diagnóstico”, destaca.

As células produzidas pela medula óssea ainda podem preservar parte de suas funções, devido a evolução lenta da LMC. Por essa razão, uma parcela significativa dos pacientes não apresenta sintomas quando recebe o diagnóstico.

Considerar apenas o cansaço não representa necessariamente um sinal de alerta para a doença. A atenção deve ser maior quando a fadiga persiste, não apresenta uma explicação evidente ou aparece acompanhada de outras manifestações. “O cansaço ocasional geralmente tem explicações benignas. A preocupação aumenta quando ele é persistente, inexplicado ou acompanhado de outros sintomas, como perda de peso involuntária, suor noturno importante, febre, sangramentos ou manchas roxas sem explicação, infecções recorrentes ou desconforto abdominal.”

Entre as possíveis condições relacionadas ao cansaço está a anemia, caracterizada pela redução da quantidade de hemácias ou da capacidade do sangue de transportar oxigênio adequadamente. Quando a oxigenação dos tecidos fica comprometida, podem surgir sintomas como cansaço, fraqueza, falta de ar durante esforços físicos, palpitações e dor de cabeça.

Quando apresenta manifestações clínicas, a leucemia mieloide crônica pode provocar perda de peso sem causa aparente, suor excessivo, especialmente durante a noite, sensação de fraqueza e mal-estar, desconforto ou dor no lado esquerdo do abdômen, saciedade precoce, aumento do baço e, eventualmente, febre e outros sintomas. “É importante explicar sobre a saciedade precoce. Quando o baço aumenta de tamanho, ele pode ocupar mais espaço dentro do abdômen e exercer pressão sobre o estômago. Assim, a pessoa pode sentir que está satisfeita depois de comer uma quantidade menor do que o habitual.”

O hematologista do Hospital Santa Rita, Marcelo Aduan, destaca que esse conjunto de manifestações não é exclusivo da LMC. Por isso, diante desses sintomas, a conduta adequada não é presumir a existência de uma leucemia, mas investigar as possíveis causas.

A confirmação da doença exige a identificação da alteração molecular característica, mas não exclusiva, conhecida como transcrito BCR-ABL. A LMC está associada ao chamado cromossomo Philadelphia, resultado de uma alteração genética entre os cromossomos 9 e 22. Essa modificação dá origem ao gene de fusão BCR-ABL, responsável pela produção de uma proteína com atividade de tirosina-quinase, capaz de estimular a proliferação anormal das células mieloides.

O tratamento da LMC é realizado com medicamentos denominados inibidores de tirosina-quinase, que atuam diretamente na alteração molecular responsável pela doença. Entre eles está o imatinibe, que permite o controle da enfermidade a longo prazo e contribui para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes.

As terapias-alvo são utilizadas no tratamento da LMC há muitos anos. A evolução dessas abordagens começou com o imatinibe e avançou com medicamentos como nilotinibe e dasatinibe. Mais recentemente, foram incorporadas opções como ponatinibe e asciminibe, especialmente indicadas em situações de resistência ao tratamento.

O acompanhamento especializado e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso terapêutico, o controle da doença e o aumento das chances de cura.

Marcelo Aduan conclui destacando a estrutura disponível no Hospital Santa Rita para o atendimento aos pacientes com LMC, que é a única no Estado a oferecer o tratamento completo, abrangendo todas as etapas da assistência, desde o diagnóstico até o transplante de medula óssea, quando necessário.

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